quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Contrastes

Crepúsculos suaves, sóis em fogueiras
Putas debutantes e velhas rameiras
Desertos com sede, prados vicejantes
Uns cheios de medo, outros arrogantes
Há mares de esperma e fósseis de cio
Onde a vida corre
E onde a vida morre, havia um rio.

E eu viajante de estradas sem fim
Pergunto às estrelas se sabem de mim
Que de mim eu não sei, perdido que estou
Nas dobras do mundo, nos contrastes de fundo
Não sei p`ra onde vou
Nem o que é este mundo

Riqueza opulenta, pobreza ao relento
Escritórios robóticos, searas ao vento
Vígaros sem tempo, honestos falidos
Vozes de trovão e frágeis balidos
De gente no trono, de gente humilhada
Onde a vida corre
E onde a vida morre, há gente sem nada

E eu andarilho de ideias sem fim
Pergunto às estrelas que será de mim
Que de mim eu não sei, confuso que estou
Nos dobras de fundo, nos contrastes do mundo
Não sei quem eu sou
Nem o que vai no fundo

E neste corrimento louco e galopante
Gelado, geleia, excretório do que vi
Ganhei e perdi tudo num instante
Mulher, família, mobília e amante
E nem uma flor eu deixei em ti

Valterv Guerreiro, 2008

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